Quase ninguém entende a dor de quem sofre de um transtorno mental

Caso você tenha sofrido ou sofra atualmente com um transtorno mental como depressão, ansiedade, pânico ou transtorno bipolar, você sabe o quanto é difícil explicar aos familiares, amigos e colegas de trabalho a respeito do que está vivendo.

Explicar o sofrimento causado por transtornos mentais à quem nunca sofreu desses transtornos é quase impossível. Hoje em dia familiares e amigos consultam a internet, baixam uma lista de sintomas e pensam que entenderam do que se trata. O problema é que não se consegue entender de fato os sintomas emocionais através de sua descrição. Não se entende sintomas mentais e emocionais através de palavras. Somente quem já sofreu de um transtorno mental entende isso perfeitamente.

Justamente por não conseguirem se colocar no lugar da pessoa que sofre, familiares e amigos costumam dar conselhos para tentar ajudar, conselhos como "saia um pouco, vá se divertir, tire uns dias de folga", tudo quase sempre inútil, pois tudo isso certamente foi tentado antes pela pessoa que sofre. A pessoa que já passou por isso entende e demostra clara compreensão.

O pior de tudo é lidar com pessoas que não acreditam em transtornos mentais, que pensam saber tudo, arrogantes. São aqueles que dizem "isso não existe, é frescura, coisa de gente fraca, não quer trabalhar". Esses atrapalham muito e reforçam estigmas e preconceitos. Muitos pacientes dizem que se pudessem escolher prefeririam ter uma fratura ou mesmo uma doença maligna, pois assim receberiam apoio e não críticas ou comentários depreciativos.

Outro problema, talvez ainda maior, é aquele criado por pessoas que, sem qualquer conhecimento de psicofarmacologia, afirmam absurdos a respeito do uso dessa classe de medicamentos. Um exemplo comum na prática médica psiquiátrica ocorre quando prescrevemos rivotril, um dos mais antigos e eficazes tranquilizantes. Logo que o paciente comenta estar em uso deste medicamento surgem pessoas afirmando que  ele vai morrer, vai enlouquecer ou se tornar dependente do medicamento de modo irremediável. Outros dizem para fazer uso de fitoterápicos, ignorando mais uma vez que o paciente geralmente já tentou fazer uso desses últimos sem sucesso. Esse comentários negativos costumam ser feitos a respeito de quase todos os psicofármacos.

Muitas vezes as críticas não são dirigidas somente aos psicofármacos, mas também o psiquiatra se torna foco das críticas, como se ele estivesse inventando a doença do paciente, como se fosse ele o responsável pela doença, como se tivesse intenção de internar qualquer pessoa em um hospital psiquiátrico. Você já ouviu alguém criticar um cardiologista por que prescreveu medicamentos para tratar a hipertensão do paciente?

A pessoa que sofre de uma doença mental, seja ela moderada ou grave, tem família, marido, esposa, filhos, e todos sofrem. Os filhos sofrem muito mais ainda, pois quando pequenos precisam conviver com uma mãe ou um pai sem energia nem condições emocionais para dar atenção e carinho, as vezes muito irritados e até hostis, explosivos. Quando um membro da família está doente todos na família sofrem.

Portanto, quando diante de uma pessoa que sofre de um transtorno mental seja generoso, não julgue nem questione, procure entender a doença e o sofrimento, e dê apoio. Faça parte da solução e não do problema! Assim todos saem ganhando, o preconceito com a doença mental diminui e o doente se sente mais amparado, menos isolado em seu sofrimento mental.

Texto de autoria do Dr. Lincoln C. Andrade.

Permitida a reprodução e divulgação desde que citada a fonte (autor e site)

Dr. Lincoln C. Andrade é médico psiquiatra com residência médica pelo HC/USP, especializado no atendimento de pessoas em crise emocional, estresse, transtornos de ansiedade e pânico. Tem vinte anos de experiência no atendimento de pessoas em crise emocional de qualquer origem. Criou e mantém em sua clínica o programa CALMA, especializado no tratamento de ansiedade e pânico. Agendamento de consultas pelos fones (41) 30391890 e 996437333.

"Clínica Dr. Lincoln Andrade, a clínica de referência no tratamento do estresse elevado,  ansiedade, pânico e crises nervosas em Curitiba".

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