Crises Emocionais de Origem Amorosa

O relacionamento amoroso duradouro está sujeito a mudanças contínuas e perturbações diversas ao longo do tempo, e muitas perturbações emocionais exigem atendimento imediato de um psiquiatra. O leitor pode neste momento perguntar: mas que relação pode ter uma crise amorosa com a psiquiatria?

Para responder esta pergunta suponha que, inesperadamente, seu parceiro amoroso de muitos anos, que você ama e considera seu melhor amigo, revela que não a ama mais, que ama outra pessoa e quer terminar o relacionamento.  Imagine  que tal revelação ocorra quando faltam apenas algumas semanas para o casamento tão sonhado e minuciosamente planejado! Consegue imaginar como você se sentiria?

 Suponha, por outro lado, que você descubra que está sendo traída, ou que seu cônjuge tenha outra família ou filhos que você desconhecia, mas que muitos conhecidos em comum tinham plena consciência do fato.

Como você reagiria caso o amor da sua vida descobrisse que você tem sido infiel e deixasse a residência da família, levando  consigo os filhos e deixando você na mais completa solidão?

E se sua parceira de muitos anos, em uma conversa franca,  diz que nunca foi feliz sexualmente com você, e que sente desejo sexual por outras pessoas?

Os exemplos citados acima são todos reais, e foram retirados de casos clínicos de nossa prática diária de 18 anos de psiquiatria, sendo 15 no trabalho com relações amorosas e 9 na área de  terapia sexual.

Situações como as acima descritas causam forte impacto emocional e tem potencial para tirar do controle a mais equilibrada das pessoas. Reações emocionais iniciais de choque e incredulidade podem evoluir para crises de ansiedade, choro, desespero, insônia, decisões impulsivas ou busca obstinada para reatar o relacionamento.   Não tendo sucesso na busca de reconciliação, ou se sentindo humilhada demais, a pessoa pode evoluir para reações de culpa, raiva, idéias de vingança, luto complicado, ansiedade grave, crises de pânico, depressão e mesmo ideação homicida ou suicida. Em casos extremos pode ocorrer tentativa ou efetivação de homicídio ou suicídio.

Em situações de grande sofrimento emocional,  como as acima citadas, a pessoa frequentemente procura apoio de amigos, familiares ou auxílio profissional, este último quando nada mais ajuda.

Neste momento outros fatores complicadores vêm se somar aos demais: que tipo de ajuda buscar? Médico clínico geral? Psicólogo? Psiquiatra? Pronto atendimento médico ou psiquiátrico?

Nossa grande experiência neste tipo de atendimento nos mostra que nesse momento o estigma do médico psiquiatra, que inexplicavelmente, em pleno século 21,  ainda é tido por parcela significativa da população como “médico de loucos”, emerge com força,  reforçando o estigma e desestimulando ou retardando a busca de auxílio médico especializado em saúde mental.

Outro problema é o serviço de pronto atendimento médico. Se a pessoa procurar um pronto-atendimento clínico, os médicos não são especialistas em saúde mental. Se procurar um pronto atendimento psiquiátrico encontrará frequentemente um ambiente planejado para o atendimento de pessoas com doenças mentais graves, o que pode causar constrangimento ao paciente e seus familiares. Por último, e não menos importante, o medo da internação em hospital psiquiátrico e o estigma daí resultante servem de barreira à busca de ajuda. Mas não deve haver dúvidas: em caso de tentativa efetivada de suicídio é preciso procurar  primeiro e imediatamente o pronto-atendimento clínico, para preservar a vida do paciente. Em seguida, e de acordo com o caso, o paciente será encaminhado para atenção psiquiátrica.

Não se tratando de situação de risco de vida imediato, mas necessitando do ajuda especializada, existem alguns pré-requisitos para atender situações de crise emocional por problemas afetivo-sexuais:

  1. Que a equipe seja especializada
  2. Que o acolhimento seja atencioso e respeitoso com quem está sofrendo as dores do amor
  3. Que não haja preconceito de orientação sexual ou de identidade sexual, ou seja, que sejam bem acolhidos e atendidos tanto heterossexuais como homoafetivos, bissexuais ou pessoas do grupo mais amplo conhecido como LGBTT.
  4. Que haja oferta de tratamento com medicamentos e psicoterapia, pois frequentemente ambos são necessários em situações mais agudas.
  5. Que os profissionais se coloquem à disposição do paciente e sua família de maneira ampla, fornecendo inclusive seus números de telefone celular, pois pode haver necessidade de comunicação rápida entre o paciente, seus familiares e o psiquiatra ou psicólogo nos primeiros dias de atendimento ao paciente em crise.
  6. Que haja atendimento especializado em terapia individual ou de casais, para problemas amorosos e sexuais, buscando assim a completa resolução do problema afetivo ou sexual, uma vez afastada a situação de crise.

E foi pensando em um atendimento o mais amplo possível para problemas amorosos, afetivos e sexuais, que criamos o Programa On Love. Nosso objetivo é trabalhar com o máximo de competência na resolução de todo tipo de problema amoroso e sexual, atendendo desde situações de crise aguda até situações menos graves, mas também importantes.

Devemos dizer que nos orgulhamos de ser, talvez, a única clínica no Brasil com esse nível de especialização em problemas afetivos e sexuais, e a oferecer seminários cujo objetivo é orientar pessoas para uma vida afetiva e sexual mais gratificante. Nosso trabalho é pautado pela ética, sensibilidade e respeito pelas pessoas que sofrem as dores do amor.

Para informações sobre tratamento, textos e leitura adicional, consulte www.lincolnandrade.com.br.

Texto de autoria do Dr. Lincoln César Andrade*

Permitida a reprodução e divulgação desde que citados autor e fonte.

*Dr. Lincoln é médico psiquiatra especializado no tratamento de pessoas em situação de crise emocional, estresse elevado, transtornos de ansiedade e pânico. Realiza tratamento de pessoas em sofrimento emocional de origem afetiva ou sexual há 15 anos. Agendamento de consultas pelos fones (41) 30391890 e 996437333.

 

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