Crises de pânico e medo de estar com doença grave

Uma pessoa acometida pela primeira vez na vida por crises de pânico tende a procurar socorro em pronto-atendimentos hospitalares, quase sempre por medo de estar sofrendo um infarto ou de morrer devido a sensação de sufocação ou de falta de ar.

Nessas ocasiões os médicos examinam o paciente, realizam exames cardíacos, RX de tórax e  exames bioquímicos. Não encontrando nada de realmente grave, os médicos muitas vezes dizem ao paciente que se trata de ansiedade, estresse e que vai passar. Alguns dizem para procurar relaxar e outros encaminham para o psiquiatra.

Ao mesmo tempo aliviado e preocupado, e frequentemente insatisfeito com o diagnóstico de ansiedade, o paciente sofre novas crises e persiste na busca de uma causa orgânica para as mesmas. Neste processo passa a temer estar com doença grave, teme também que os médicos não estejam conseguindo descobrir a doença. Frequentemente pensam em tumor cerebral, doença pulmonar, cardíaca ou câncer.

Após muitas visitas ao pronto-atendimento, o paciente finalmente decide procurar o psiquiatra, geralmente após ler muito a respeito na internet ou por conselho de alguém que tem também transtorno de pânico. E somente se convence de que não se trata de doença fatal algum tempo após o controle das crises de pânico. Muitos pacientes permanecem preocupados com doenças grave por muito tempo ainda.

Devido a resistência em aceitar o diagnóstico de ansiedade como explicação para as crises de pânico, e principalmente por receio de se consultar um psiquiatra, muitas pessoas sofrem por longo tempo até virem a procurar atendimento psiquiátrico especializado em transtorno de pânico.

Como acontece com quase tudo que envolve distúrbios mentais e emocionais, de depressão a transtorno de pânico, passando por muitos outros diagnósticos, somente quem passou pelo transtorno ou está vivenciando um transtorno mental é que consegue entender o sofrimento que ele pode acarretar, tudo agravado pelo estigma que ainda cerca a psiquiatria, de que se trata de médicos de "loucos", que deixam as pessoas sedadas.

Esse estigma, associado à desinformação e preconceito, causa enorme prejuízo ao pessoas que estão sofrendo com um transtorno mental, as vezes atrasando em anos a busca de atendimento especializado!

Texto de autoria do Dr. Lincoln C. Andrade*

Permitida a reprodução e divulgação desde que citada a fonte (autor e site)

*Dr. Lincoln C. Andrade é médico psiquiatra especializado no atendimento de pacientes em crise emocional, estresse elevado, ansiedade, medo e pânico. Criou em mantém em sua clínica o programa CALMA, especializado no atendimento de pessoas com transtorno de pânico. Agendamento de consultas pelos fones (41) 30391890 e 996437333. 

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