fbpx

Conheça os transtornos psiquiátricos associados à dependência química

Problemas com o uso de álcool e drogas associados a outros transtornos psiquiátricos ocorrem frequentemente e dificultam a avaliação diagnóstica e o tratamento. Quando uma pessoa apresenta mais de uma patologia psiquiátrica, o tratamento deve ser amplo, pois o falha em tratar as comorbidades leva a maior taxa de abandono e ineficácia do tratamento da dependência.

As patologias associadas ao uso de drogas são diversas, e serão em sua maioria listadas abaixo:

Transtorno bipolar (TB): é o mais comum transtorno associado ao uso de álcool e drogas. Além do mais, o TB associado ao uso de drogas e álcool está associado a maior risco de suicídio, maior gravidade da dependência, baixa adesão ao tratamento, mais internações psiquiátricas e maior dificuldade de tratamento.

Também predispõe ao uso de substâncias e a recíproca é verdadeira para pessoas geneticamente predispostas a desenvolverem transtornos afetivos. A maconha predispõe à depressão e a cocaína à mania e à impulsividade em pacientes bipolares. Tanto a mania quanto a depressão bipolar aumentam o consumo de álcool.

Depressão: é a mais comum patologia psiquiátrica ligada ao alcoolismo, mas também está muito ligada ao tabagismo.  Outras drogas também podem estar ligadas à depressão.

Transtornos de ansiedade: O consumo de álcool e drogas aumenta de modo acentuado a possibilidade de desenvolver um transtorno de ansiedade. Maconha pode causar ansiedade e crises de pânico. Drogas estimulantes podem causar grave ansiedade por ocasião de episódios de intoxicação. O álcool é muito utilizado por pessoas ansiosas como um meio para reduzir a ansiedade, o que acaba gerando outros problemas ao usuário.

Ciúme patológico: frequentemente tem relação direta ou indireta com o uso de substâncias, além de relação estreita com violência psicológica, física e risco de homicídio.

Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH):  aparentemente o TDAH predispõe ao uso de substâncias entre adolescentes e adultos, e o consumo problemático de álcool é o  problema mais frequente, seguido de maconha. Pessoas com TDAH iniciam mais precocemente o uso de substâncias e de maneira mais grave do que pessoas sem essa patologia, e quanto mais grave o TDAH mais severo o uso  de álcool e drogas.

Pode parecer contraditório, mas o uso de álcool e drogas pode ser iniciado pela pessoa que sofre de TDAH como uma forma de tratamento dos sintomas. A nicotina, por exemplo, melhora o desempenho de funções executivas em pessoas com desatenção, favorecendo o tabagismo. Pesquisas mostram diferenças dramáticas na taxa de uso de drogas e álcool entre pessoas com TDAH que iniciam precocemente o tratamento e as que não o fazem. Entre as que fazem tratamento a redução no risco de uso de substâncias é muito significativa.

Transtornos relacionados ao sono: Insônia é um transtorno comum entre alcoolistas e pessoas dependentes de benzodiazepínicos, conhecidos como tarja preta. NO alcoolismo está presente por ocasião da abstinência e da recaída.

Compulsão sexual: o comportamento hipersexual está estreitamente ligado ao uso de substâncias e comportamento de risco para contrair DSTs e HIV.

Transtornos parafílicos: Transtornos parafílicos, como fetichismo, exibicionismo, voyerismo, pedofilia e travestismo fetichista parecem estar estreitamente ligados ao uso de álcool, mas também podem envolver o uso de drogas. Estão também bastante ligados à transtornos de humor e de ansiedade.

Transtornos alimentares: Aproximadamente um terço das pessoas com transtornos alimentares faz uso problemático de álcool, e usuárias de substâncias têm transtornos alimentares frequentemente. Essa associação está ligada a pacientes mais complexos, com resultados de tratamento mais pobres e é mais comum em pacientes mais jovens.

Transtorno de personalidade: transtorno de personalidade borderline e antissocial são frequentemente ligados ao uso de substâncias.

Esquizofrenia: Tabaco e álcool são as substâncias mais consumidas por pessoas que sofrem de esquizofrenia e de transtorno esquizoafetivo, chegando a 80% de tabagismo e 30% de uso de álcool. Este último pode agravar os sintomas psicóticos.

A maconha merece um alerta importante: pesquisas demonstram claramente que a maconha pode desencadear sintomas psicóticos transitórios e mesmo transtornos psicóticos permanentes.

Ao contrário do que dizem os defensores do uso da maconha de modo recreativo, o risco à saúde mental representado pelo consumo não deve ser ignorado, inclusive devido ao aumento crescente da concentração do tetra-hidrocanabinol (THC) na maconha comercializada por traficantes. Lembro que escrevi este artigo em 2020, uma época no Brasil em que, em plena pandemia da COVID 19, se tornou comum certas autoridades públicas importantes questionem a credibilidade de informações de pesquisa científica.

O THC é o componente causador do "barato", a  sensação de relaxamento e sociabilidade tão valorizada pelos usuários de maconha, mas que também pode desencadear sintomas psicóticos. Adolescentes são as pessoas mais sujeitas ao desenvolvimento de transtornos psicóticos sob uso de maconha.

Resumindo este extenso artigo, comorbidades entre uso de álcool, drogas e outros transtornos psiquiátricos é algo bastante frequente, e exige tratamento integrado de todos os transtornos para aumentar a chance de um melhor desfecho clínico.

Trata-se de tratamento bastante complexo, que envolve diagnóstico psiquiátrico dos transtornos associados ao uso de drogas e álcool, medicamentos, psicoterapia, atenção à família e às condições sociais, entre outros recursos. Não raramente há necessidade de atenção médica para os prejuízos orgânico causados pelas substâncias de abuso e mesmo internação psiquiátrica em situações de risco elevado. Portanto, a prevenção e o diagnóstico psiquiátrico precoce constituem a pedra angular do  trabalho em saúde mental quando se trata de problemas por uso de substâncias.

Artigo de autoria do Dr. Lincoln c. Andrade. Permitida e reprodução e divulgação desde que citada a fonte (autor e site, www.lincolnandrade.com.br).

*Dr. Lincoln C. Andrade é médico psiquiatra com residência médica  pelo hospital das clínicas da USP (HC/RP-USP), especializado no atendimento de pacientes em crises emocionais, estresse elevado, medo e pânico. Tem vinte anos de experiência na área. É também especialista em sexualidade humana pelo projeto sexualidade do hospital das clínicas da faculdade de medicina da USP (HC/USP). Criou e mantém em sua clínica o programa CALMA, para tratamento do transtorno de pânico, e o o Centro de  relaxamento profundo, de medicina mente e corpo. Dr. Lincoln também mantém um canal no youtube, a Escola de saúde mental, para o ensino gratuito sobre saúde mental e qualidade de vida.

Atendimento presencial, domiciliar e por telemedicina (para todo Brasil). Agendamento de consultas pelos fones (41) 30391890 e 996437333.

"Clínica Dr. Lincoln Andrade, a clínica de referência no tratamento do estresse elevado,  ansiedade, pânico e crises nervosas em Curitiba".

Ainda não há comentários.

Deixe um comentário