O estresse traumático causado por assaltos

A exposição à violência urbana pode causar vários transtornos mentais. Dentre eles, o transtorno de estresse pós -traumático (TEPT) é o mais grave, cujos sintomas variam de acordo com a gravidade da violência, a capacidade psicológica da pessoa em enfrentar situações estressantes e a vulnerabilidade biológica desa pessoa vítima de violência.

Uma situação cada vez mais comum a gerar transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) são os assaltos. Em nossa prática profissional é crescente o número de pessoas vítimas de assaltos no trabalho e nas ruas de Curitiba que nos procuram devido as sequelas psicológicas de assaltos a mão armada, principalmente quando houve o uso de muita violência pelos marginais.

O quadro clínico se caracteriza por sintomas como os abaixo listados:

Tensão muscular, mudanças frequentes de humor, dificuldade para dormir, tendência ao isolamento, sentimentos de culpa, de auto-acusação, irritabilidade fácil, reações de sobressaltos com estímulos inespecíficos como ruídos, movimentos bruscos no seu entorno, desconforto acentuado em situações que relembram o trauma, depressão, imagens mentais invasivas como se tudo estivesse ocorrendo novamente.

O diagnóstico de estresse pós-traumático, que significa pós-evento traumático, se baseia em 4 fatores e nos sintomas associados:

a) Experiência de reviver o trauma: através de imagens mentais que invadem a consciência (intrusivas), sonhos, pensamentos angustiantes. Ex.: mal estar diante de estímulos que fazem lembrar do trauma; reações físicas ao lembrar do trauma; sentimento de que o fato está ocorrendo novamente, sonhos muito desagradáveis sobre o ocorrido;

b) Evitação fóbica: é a evitação persistente de qualquer coisa ou situação que lembre o evento traumático. Ex.: evitar pensamentos, sentimentos e diálogos a respeito; evitar pessoas, lugares, atividades; distanciamento afetivo das pessoas; redução do interesse por atividades importantes;

c) Hiperativação persistente do sistema nervoso: um quadro de persistente ativação do sistema nervoso autônomo simpático, responsável pelo mecanismo de defesa do ser humano. Ex.: Dificuldade em iniciar ou manter o sono; dificuldade de concentração; respostas emocionais de sobressalto, intensas, diante de certos estímulos ou despertar em sobressalto; hipervigilância (vigilância muito aumentada em relação ao ambiente); irritabilidade, explosões emocionais.

d) Mudança persistente da personalidade: trata-se de mudança das características pessoas de comportamento, como, por exemplo,  isolamento social, sentimento de vazio e desesperança, sentimento de estar em risco permanente ou ameaçado, atitude permanente de hostilidade e desconfiança, estranheza de si mesmo e certa indiferença afetiva.

Uma das características mais importantes da evolução do quadro clínico, quando não tratado adequadamente, é a persistência dos sintomas. Devido a isso o quadro deve ser tratado o mais breve possível, para evitar o agravamento do quadro e a cronificação do paciente, o que representa uma vida de baixíssima qualidade.

O tratamento envolve uso de medicamentos, psicoterapia especializada, suporte familiar e social, dependendo da gravidade do caso. O médico especialista em TEPT é o psiquiatra, de preferência com grande experiência neste quadro clínico que representa um desafio terapêutico quando muito grave.

Texto do Dr. Lincoln C. Andrade

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